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Antes do percurso profissional - participação jovem no espetáculo solo - repercutir em sinfonia
Seg

 

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2022
Ensaios

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© Bruno Senune

Beatriz Valentim

— Bailarina e coreógrafa —

No último dia do DDD, foi apresentado o trabalho solo – repercutir em sinfonia, do Bruno Senune, no âmbito do DDD OUT, no Jardim do Morro, em Vila Nova de Gaia. Este trabalho envolveu dez jovens, nove dos quais atuais alunos e alunas, e um ex-aluno do Balleteatro, do Porto. 

 

De forma introdutória, gostaria de esclarecer que tenho vindo a desenvolver o meu trabalho como professora de dança contemporânea em várias escolas em Portugal, nomeadamente no Balleteatro, o que me possibilita um envolvimento direto com crianças e adolescentes. Isto permite-me também acompanhar os jovens no seu percurso académico e na sua procura no mercado de trabalho, quando querem ter a dança e as artes performativas como profissão (e consequente modo de vida). O Balleteatro tem também a missão de ser um centro para o desenvolvimento das artes performativas, focado no ensino e na criação artística, possibilitando este tipo de experiências aos seus educandos. Todos estes fatores e percursos têm sido uma enorme aprendizagem, e vêm demonstrar o quão importante é a educação pela arte, o pensamento crítico, a reflexão e a superação. 

 

Do que vi e ouvi destes adolescentes durante a construção deste espetáculo, que durou cerca de duas semanas, e daquilo que conheço de cada um, esta foi uma experiência de responsabilidade e compromisso - trabalhar num contexto profissional, onde um coreógrafo, que não é um professor, dirige o trabalho e os desafia num contexto de processo criativo de grupo. Esta participação implica, desde logo, relações com outras pessoas durante um processo de interação, ou seja, participação é ação, mas, também, conexão. Esta participação, em particular, ativou novos estímulos – conhecer uma nova metodologia de trabalho, testar e incorporar uma nova linguagem física, tocar um instrumento musical e adaptar-se ao espaço público. Neste trabalho, que partiu de um solo do Bruno, apresentado já em 2019, os intérpretes tiveram de procurar a fisicalidade dele e torná-la também um pouco sua – senti-la, memorizá-la e interpretá-la. 

 

Nestes contextos de profissionalização e contacto com a dinâmica da cidade e do mercado de trabalho, potenciados também pela própria escola, abre-se ainda a porta para que outras pessoas conheçam os intérpretes “no palco” e vice-versa. Abre-se a porta a um mundo sem avaliações e sem notas. Abre-se a porta a um mundo que fervilha fora do contexto escolar, a um mundo de contactos e de redes interpessoais. Abre-se, também, a porta a um mundo de medos, questões e frustrações. E, cada intérprete, com as suas vontades e potenciais, tira partido de toda esta aprendizagem, à luz dos seus percursos pessoais em relação à dança. Uns referem empenho, outros novidade e outros, ainda, alívio. Sentem-se profissionais porque são tratados como tal: não há a expectativa do professor ou professora que os acompanha o ano todo e sentem que as suas capacidades são novamente colocadas à prova. O Bruno acompanhou-os nesta construção de uma experiência significativa de participação e construção artística. E quando falo de participação, aqui, falo de uma participação que envolve perspetivas sociais, familiares e pessoais, com os seus constrangimentos e potencialidades. Cada um destes jovens, com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos, experienciou e interiorizou este processo à sua maneira, variando esta interpretação com a idade e com os desejos de cada um. Esta experiência de trabalho sustentou-se também nas vozes, nos corpos e nos percursos dos bailarinos e bailarinas participantes, através das suas juventudes plurais, diversas e curiosas.