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DDD 2021: Cláudia Dias & Idoia Zabaleta - Quinta-Feira
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Alípio Padilha
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O DDD – Festival Dias da Dança 2021 (15 abril – 2 maio) apresentará Quinta-Feira: Abracadabra, a quarta obra da coreógrafa Cláudia Dias produzida no âmbito do projeto Sete Anos Sete Peças.


Uma peça por ano, sempre em cocriação com um artista nacional ou estrangeiro. Depois de Pablo Fidalgo Lareo em Segunda-Feira: Atenção à Direita, de Luca Bellezze em Terça-Feira: Tudo o que é sólido dissolve-se no ar e de Igor Gandra em Quarta-Feira: O tempo das cerejas, é a vez da artista basca Idoia Zabaleta se juntar a Cláudia Dias num espetáculo ambientado num cenário depurado, no qual um livro-porta nos dá acesso a jogos de palavras e a relatos entrecruzados em que as duas performers se confrontam pela primeira vez.


“O nosso encontro foi o produtor da “primeira célula” deste trabalho; uma célula na qual estavam já contidos os conteúdos e as soluções formais do espetáculo. Conteúdos que se relacionam com a apropriação da linguagem enquanto ferramenta emancipadora e com o uso da palavra enquanto instrumento de mobilização. Soluções que passam pela incorporação da palavra e pela consequente reverberação no corpo ou pela construção de jogos lúdicos com palavras”, explica a coreografa almadense.


O processo criativo foi “muito fluente, partilhado, com equidade de responsabilidade e de decisão. Um processo de escuta, de diálogo e de cedência também. Um exercício de democracia que contrasta muito com os clássicos “maus fígados” autorais. Nesse processo usámos o livro Ecologia, da Joana Bértholo, enquanto detonador e facilitador da ação, e algo desse mecanismo de ensaio acabou por estar presente na peça. O livro trata de uma distopia em que a linguagem é privatizada. Nós, no Quinta-feira, celebramos com os espectadores e as espectadoras o facto da linguagem ainda ser um bem público”.


O projeto Sete Anos Sete Peças surge também ligado ao projeto Sete Anos Sete Escolas, que tem “a ambição de que a almejada inclusão, de que tanto se fala, se concretize através da tomada de consciência, por parte dos/das participantes no projeto, de que a escola pública é o instrumento de efetivação do princípio constitucional do direito de todos e de todas à educação, à igualdade de oportunidades, e à superação das desigualdades económicas, sociais e culturais”. 


Até que ponto essa experiência influencia as suas criações anuais? “Não sei se abre novas perspetivas no meu trabalho autoral. Sei que existe um diálogo entre os projetos. Sei que as fronteiras entre os ambos são porosas. Sei que o projeto escolas levanta questões sobre colonialismo e racismo, que alguns se esforçam tanto em negar, sobre violência, sobre manipulação digital, sobre informação versus conhecimento, sobre a importância da palavra e do diálogo, sobre a necessidade de desenvolver pensamento crítico”.


Em 2021, quando já tiver chegado o tempo de Sexta-Feira: o tempo do fim do mundo ou então não (estreia no Alkantara Festival no dia 17 de novembro), voltaremos às palavras de Quinta-Feira, “as que haviam ardido no fogo”, mas que renascem das cinzas para ocuparem o palco do Palácio do Bolhão.


Cláudia Dias foi entrevistada em julho de 2020.



Cláudia Dias & Idoia Zabaleta

Quinta-Feira: Abracadabra
16 e 17.04.2021 22H00
Palácio do Bolhão



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