DOS ARTISTAS EMERGENTES AOS COREÓGRAFOS PARADIGMÁTICOS
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Bruno Pereira

O DDD prossegue hoje, em Gaia, no armazém 22. As Curtas de Dança revelam um percurso-mostra de três espetáculos "com carácter laboratorial", como afirma Ana Carvalho, diretora do Armazém 22. Ricardo Machado fez-se acompanhar da intérprete Mia Distonia para falar sobre Ponto Ómega, um dueto que explora o "conceito de não género". Já o trabalho de Maurícia | Neves trata de um manifesto relacionado com a crise, a sua experiência enquanto trabalhadora-estudante e a "estética do preto como camuflagem".

No mesmo dia, a incontornável coreógrafa brasileira Lia Rodrigues apresenta um mundo de Fúria atravessado por um mar de perguntas sem resposta. Lia Rodrigues prefere chamar a atenção para o atual contexto artístico no Brasil - "Estou aqui a representar todos os artistas que não podem dançar. (…) O Brasil é um país onde é normal matar pessoas e ter comportamentos homofóbicos. (…) Nós falamos 'Ninguém solta a mão de ninguém', estamos todos de mão dada face à situação muito séria que atravessamos". Fúria para não perder no Teatro Nacional São João.

Ainda no contexto do FOCO BRASIL, Thiago Granato, sediado em Berlim, traz ao Constantino Nery em Matosinhos o primeiro trabalho da sua trilogia Coreoversações - "convido dois coreógrafos a terem uma conversa comigo como meio". Treasured in the dark revela um precioso universo da penumbra. Um trabalho que resulta de uma pesquisa coreográfica desenvolvida em diferentes colaborações imaginárias: entre coreógrafos mortos (neste trabalho), vivos (no seu segundo trabalho Trança) e que ainda não nasceram (no seu último trabalho Trr).

Raúl Maia, após uma temporada a viver e trabalhar em Viena regressa à sua cidade natal e apresenta no DDD The Ballet of Paul Ace and Sunny Lovin, um dueto com Thomas Steyaert - "trata-se de uma comunicação física não representativa - uma interação baseada no corpo onde agora surgem, pela primeira vez no nosso trabalho, objetos."

Flávio Rodrigues ocupa o sétimo piso do Palácio dos Correios com Rúptil | na era dos castigos incorpóreos uma instalação de esculturas ativada, uma a uma, por performances. O público é convidado a deambular pelo espaço e a descobrir "os materiais que fui encontrando nas minhas caminhadas".

Em Gaia, no Auditório Municipal, uma estreia da aclamada e misteriosa Tânia Carvalho, desafiada a colaborar com a AZA Companhia de Dança, ou três bailarinas – Paula Moreno, Amélia Bentes e Carla Oliveira - com mais de 45 anos e o que dos seus corpos emerge como potencial para criar uma peça de dança - Muiças.

A programadora de artes performativas da Fundação Serralves, Cristina Grande fala-nos da proposta de João dos Santos Martins, Companhia, - "a partir de uma investigação sobre o trabalho, faz uma reflexão sobre o que isso significa na dança, procurando-a pensar como labor." Uma peça para "públicos e artistas estarem em companhia".

No espaço público – DDD OUT – continuam as apresentações pensadas para cada espaço específico e que podem surpreender os passantes.

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