DDD - FESTIVAL DIAS DA DANÇA

20  –  30.04   2021

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Trailer - L'affadissement du merveilleux

Sobre

Catherine Gaudet iniciou a sua carreira enquanto bailarina ao trabalhar com vários coreógrafos, antes de iniciar a sua pesquisa coreográfica em 2004. Concluiu o seu bacharelato e mestrado em dança contemporânea na Universitè du Québec em Montreal.


É uma mentes criativas por detrás do novo Centre de création O Vertigo. É também criadora associada na Daniel Léveille Danse (DLD) desde fevereiro de 2018 e recebeu o apoio desta instituição para o desenvolvimento de várias obras e para as suas digressões. É também um dos membros fundadores e codiretora de Lorganisme, membro do Circuit Est centre chorégraphique e Diretora da Companhia Catherine Gaudet.


Sobre L’Affadissement du merveilleux | Entrevista

Três homens e duas mulheres evocam os mistérios do eterno recomeço num espetáculo geométrico e depurado, que marca um ponto de viragem na trajetória da coreógrafa canadiana Catherine Gaudet. L’Affadissement du merveilleux é um dos momentos mais hipnóticos do DDD deste ano, para descobrir numa versão online.


Em rutura com a teatralidade que marcou as suas obras precedentes, Gaudet lançou-se na nova peça enquanto ensaiava, na vida, o papel de mãe. Ao regressar ao estúdio, apercebeu-se de que a sua perceção sobre o trabalho tinha mudado. O seu olhar, outrora focado em zonas sombrias, dirigia-se agora para áreas mais luminosas. “Senti um apelo maior para evocar essa sensação vertiginosa que se sente face ao ‘mistério da vida’ – algo que eu experienciava desde o nascimento da minha filha. Ao mesmo tempo, no início do processo, o meu olhar sentiu a necessidade de ver linhas e formas simples e puras: avanços, recuos, círculos... Só conseguia ver os bailarinos a executarem o mesmo movimento ao mesmo tempo, caso contrário o meu olhar dispersava-se. Queria também que as imagens evoluíssem muito lentamente, que as coisas acontecessem uma de cada vez, num ambiente mais calmo”, relembra Gaudet.


Aos poucos, o que viria a ser L’Affadissement du merveilleux começou a alimentar-se de um fascínio pelos ciclos incessantes do universo. “A repetição dos mesmos gestos, dia após dia, é uma maneira de organizar o caos, mas essa repetição e essa rotina são também inevitáveis; somos tributários de uma biologia que nos sujeita a regras e a ciclos muito restritos. Há algo de fascinante no ciclo incessante da biologia, nas estações, mas há também uma dimensão infernal perante a incapacidade de escaparmos a esse eterno recomeço: nascimento, morte, renascimento… A peça cria uma tensão entre esses dois extremos, entre a beleza vertiginosa dos ciclos naturais aos quais estamos submetidos, e a sensação de encerramento, de prisão, de rotina entorpecedora que esses mesmos ciclos podem também gerar em nós”.



Gaudet e os cinco bailarinos lançaram-se numa pesquisa que consistia em deixar emergir uma multiplicidade de estados físicos, permitindo que se influenciassem uns aos outros. Em paralelo, escreveram uma partição espacial que incluía restrições físicas impossíveis de eliminar e na qual cada movimento se fazia em sincronia com os restantes bailarinos. “O contraste entre a restrição e uma espécie de rigidez matemática, na parte inferior do corpo, por um lado, e flutuação dos estados na parte superior do corpo, por outro, pareceu-nos interessante em termos estéticos e enquanto desafio de interpretação. Decidimos, então, que os bailarinos seriam como “oráculos”, ou seja, canais que narravam as forças do universo, unidos numa mesma luta. Os diversos estados atravessam, transportam e esculpem os bailarinos, mas eles permanecem num estado original, não afetados, transportando essa ideia do início ao fim do espetáculo”.


O resultado é uma obra de contornos imersivos e com um lado hipnótico acentuado pela música eletrónica de Antoine Berthiaume, que, à semelhança dos figurinos, da luz e de outros componentes do espetáculo, passou também por um processo de depuração. A partitura intensa e plena de modelações inicialmente escrita pelo músico de Montreal cedeu lugar a uma composição mais constante e repetitiva, capaz de acompanhar a progressão lenta da coreografia e a contemplação da variação repetitiva dos estados cíclicos.


“À medida que a peça evolui, há uma beleza que emana do constrangimento e que a aproxima do ritual. É como se os seres que evoluem nesse ciclo o transformassem, utilizando-o para aceder a algo maior, sob pena de não conseguirem escapar. O deslizamento dos estados é uma constante na minha escrita: sou fascinada por movimentos caleidoscópicos e pelo fluxo interminável das sensações que se transformam e fazem surgir novas figuras. No início da minha trajetória, encarava isso como uma flutuação de identidades múltiplas que componham o ser humano. Aqui, o ciclo remete simplesmente para a multiplicidade da vida. Um quadro atómico representa a essência da vida; depois o humano aparece e descobrimo-nos no tempo presente, para que, pouco a pouco, embarquemos num fluxo ininterrupto de transformações que remete para todas as histórias, que carregamos inconscientemente connosco, e que reproduzimos uma e outra vez até ao fim dos tempos”, conclui a coreógrafa.


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20    –    30.04   2021