DDD - FESTIVAL DIAS DA DANÇA

20  –  30.04   2021

Coreia do Sul

Eun-Me Ahn

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© Oh Min Soo
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Trailer - North Korea Dance

Sobre

Artista proeminente das artes performativas coreana, Eun-Me Ahn estudou dança contemporânea na Universidade Ehwa Womans, em Seul. Criou a sua companhia em 1988, antes de se mudar para Nova Iorque, em 1991, para estudar na Escola de Artes Tisch. Em 2001, regressou à Coreia e continuou a coreografar e a fazer performances, revisitando clássicos do seu país (Princesa Bari) ou explorando questões sociais – trabalhando frequentemente com não profissionais – como a geracional (Dancing Grandmothers, Dancing Teen Teen, Dancing Middle-aged Men) ou a deficiência (Ahnsim Dance, com cegos, ou Daeshim Dance, com anões). 


Com um reportório de mais de 150 peças, obteve reconhecimento internacional com produções como Symphoca Princess Bari, Let Me Change Your Name ou Dancing Grandmothers, que foram apresentadas nos palcos de maior prestígio em todo o mundo. Eun-Me Ahn é artista associada do Théâtre de la Ville-Paris. 

Sobre North Korea Dance | Entrevista

A Coreia do Norte é um dos países mais herméticos – e um dos mais misteriosos - do mundo. Pouco se conhece sobre a sua cultura e muito menos sobre a sua dança. A coreógrafa sul-coreana Eun-Me Ahn tentou uma aproximação, guiada pela curiosidade e pela imaginação. O resultado, pleno de virtuosismo e cor, pode descobrir-se no último dia do DDD de 2021.

“Durante muito tempo, e até recentemente, as relações entre as Coreias do Sul e do Norte foram muito tensas. Quando cresci, o Norte era o inimigo. Tudo era assustador e praticamente não tínhamos qualquer informação. Era uma espécie de tabu. Mas sempre tive curiosidade de saber que tipo de dança se fazia por lá. Afinal de contas, temos as mesmas raízes”, conta a mais internacional das coreografas sul-coreanas a quem um crítico chamou, um dia, a “Pina Bausch da Ásia”.

North Korea Dance é, inequivocamente, um espetáculo indissociável do seu contexto político: “A situação entre as duas Coreias melhorou, entretanto, e há até quem fale de uma união. Creio que estamos longe disso, mas acredito que os artistas têm um papel fundamental na evolução das mentalidades e ajudam-nos na compressão mútua. A dança é um instrumento fantástico para esse fim: é uma linguagem universal que cria pontes através do movimento. Às vezes, até mais pontes do que as palavras criariam. Com este espetáculo gostava que as duas Coreias se reconhecessem e se aproximassem através do movimento”.


O processo criativo de North Korea Dance esbarrou, inevitavelmente, com as fronteiras físicas. Face à impossibilidade de uma pesquisa in loco, o YouTube tornou-se uma ferramenta de trabalho indispensável: “Vi tudo, saltando de género em género, dos ballets de propaganda dos anos 1950 até à época mais recente em que, num contexto mais relaxado, os formatos se tornaram mais leves, juntando bailarinos folclóricos e tradicionais”. 


O passo seguinte envolveria os bailarinos, num trabalho físico intenso que evitou o mimetismo: “Usei cerca de dez desses vídeos como base de trabalho para as coreografias. Os ballets de propaganda, por exemplo, são muito diferentes dos que fazemos na Coreia do Sul. Não quisemos reproduzi-los exatamente porque jamais o faríamos tão bem quanto os originais. Escolhi alguns formatos onde se vislumbravam semelhanças com o que fazíamos no meu país porque isso também me oferecia mais liberdade para transcrever os movimentos e depois distorcê-los à minha maneira. Com esta base, começamos a reproduzir coreografias para entender os movimentos, apropriarmo-nos deles e das suas especificidades”.


Rapidamente, Eun-Me Ahn e os seus dez bailarinos aperceberam-se das diferenças. As coreografias do Norte eram, diz, mais exigentes; convocavam mais músculos para o esforço de um movimento pouco natural. “Os bailarinos incorporaram esse vocabulário, confrontaram-no com o seu, e algo muito interessante emergiu desse confronto, algo que eu não conseguira prever no início dos ensaios. Não se trata de copiar e de reproduzir coreografias preexistentes. Elas foram a base para eu oferecer a minha perspetiva artística enquanto Coreana do Sul sobre uma dança diferente, mas não muito longínqua, da do meu país. Quem sabe não estaremos perante uma dança com um vocabulário unificado de uma península unificada, ou perante a dança de um Futuro desconhecido”.

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