DDD - FESTIVAL DIAS DA DANÇA

20  –  30.04   2021

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Sobre

São Castro & António M Cabrita, ambos com formação em dança, têm vindo a desenvolver uma colaboração artística desde 2011. Em 2015, foram distinguidos com o Prémio Autores da SPA na categoria Melhor Coreografia com a peça Play False e nomeados, em 2016 e 2017 com as peças Tábua Rasa e Turbulência. Criaram, em 2017, Dido e Eneias para a Companhia Nacional de Bailado e em 2019, foram convidados pelo Théâtre de la Mezzanine (França) para assumirem a direção coreográfica da ópera Orphée et Eurydice, encenação de Denis Chabroullet.  

São Castro e António Cabrita são, atualmente, diretores artísticos da Companhia Paulo Ribeiro, companhia residente no Teatro Viriato. 

Sobre Last | Entrevista

A música como condutora de movimentos, como se os coreógrafos fossem os maestros de uma orquestra de corpos. No ano em que se celebra o 250º aniversário do nascimento de Ludwig van Beethoven, o duo São Castro e António M Cabrita dão continuidade à sua parceria criativa com Last, que o DDD apresentará em 2021.


Depois das palavras de William Shakespeare, em Play False, e das fotografias de Henri Cartier-Bresson, em Rule of Thirds, Last foi cocriado sob o signo do compositor alemão, fechando assim um tríptico que assentava nos conceitos de palavra, imagem e música.


“Pretendíamos criar uma peça em que o estímulo criativo fosse a música. De certa forma já havíamos tido essa experiência quando coreografámos a ópera Dido e Eneias, na Companhia Nacional de Bailado, que nos surpreendeu e entusiasmou bastante. Decidimos então homenagear este grande compositor e os seus The Last String Quartets”, explicam os dois coreógrafos que são também diretores artísticos da Companhia Paulo Ribeiro, residente do Teatro Viriato, em Viseu.


Abordar Beethoven foi um desafio abismal, que foi acompanhado, no entanto, por uma rápida certeza. A música teria de ser escutada ao vivo, em parte porque “


estávamos a trabalhar com um conjunto de obras compostas numa fase da vida de Beethoven em que ele estava numa surdez profunda. Tornou-se fundamental, para nós, permitir que o público ouvisse e presenciasse algo que o próprio compositor nunca chegou a ouvir. E para esta tarefa seria fundamental sermos acompanhados por um dos mais prestigiados quarteto de cordas portugueses, o Quarteto de Cordas de Matosinhos.”


Como se concretizou essa ligação entre a música e o movimento? Para São Castro, “a música e a dança têm inevitavelmente uma relação natural, mas à primeira vista esta música não responderia naturalmente à nossa linguagem coreográfica, iria ser uma tarefa difícil e exigente, mas acreditávamos que este confronto poderia ser um elemento importante para o exercício coreográfico e plástico na relação entre os corpos, o desenho de luz, o espaço cénico e na relação com o próprio público.”


Todo um processo elaborado a partir de uma partilha criativa cimentada desde que, em 2012, o duo estreou a sua primeira cocriação, Wasteland. “Os anos foram nos ensinando a trabalhar um com o outro, a encontrar o equilíbrio na divergência de ideias, a ter consciência que são estas diferenças que nos fazem continuar também a desafiarmo-nos um ao outro e a tentarmos romper com aquilo que nos é natural, evitando não corresponder ao que esperam de nós, porque gostamos de acrescentar sempre algo novo ou, pelo menos, diferente em cada uma das peças que criamos.”


Last era um dos espetáculos inicialmente programado para a edição 2020 do DDD. A pandemia levou a que o mundo ficasse em suspenso e a que vários artistas se aventurassem pelos palcos digitais. Assim, durante o confinamento surgiu Last At Home. “Pensámos logo em criar um objeto artístico que fosse uma extensão da obra original, cuja circulação tinha sido interrompida. Com as nossas indicações, os bailarinos afinaram tecnicamente todos os aparelhos de captação de imagem vídeo que iriam utilizar, de forma a estabelecer um bom padrão de qualidade de imagem. Depois, tirando partido da tecnologia que agora temos, do WhatsApp ao e-mail, fomos dirigindo coreograficamente os momentos da peça que cada um escolheu para interpretar, dando inputs e opiniões, mas também dando-lhes o espaço necessário para criarem o cenário mais confortável uma vez que os intérpretes seriam os responsáveis da sua própria filmagem, quando não havia possibilidade de haver alguém em casa disponível para os filmar.”


Em 2021, no Teatro Municipal Matosinhos Constantino Nery voltaremos à versão original de Last, em palco, 251 anos depois do nascimento de Beethoven.


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DDD – FESTIVAL DIAS DA DANÇA

20    –    30.04   2021