Dom
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Ensaio para uma cartografia: DIZER FAZER
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Dom
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Há uma distância que afasta as palavras e as coisas.

Dizer uma coisa



não é



fazer a coisa, ser a coisa.

(A menos que digamos Eu prometo, Eu declaro – assim dizemos a coisa e fazemos a coisa.)

Muitas vezes ser intérprete de alguma coisa não é ser essa coisa.



Outras vezes – mais do que levar a cena – é estar aí, à distância de um braço, uma distância mais pequena do que a que vai da palavra braço ao braço em si, à frente dos olhos.

Às vezes não se diz cansaço, não se aponta para uma ideia de cansaço muito dentro da nossa cabeça, não se aponta para o significado de o ter já aguentado, de o aguentarmos ainda. Não se abre o fosso entre a palavra e a coisa.

Só a carne é que se cansa. E a moral. E é no tempo.

Já cá estamos há mais de duas horas.

Às vezes transformamos o nosso corpo no lugar do outro.

Não quebramos a quarta parede: podemos ser a quarta parede, uma parede de mulheres em marcha como o bosque do Macbeth, como uma sororidade a caminho. Uma parede, que é como uma película tão fina, que deixamos de saber se veio ter connosco ou se fomos nós que fomos ter com ela.

Nós é o nosso nome.

Também estamos nus por debaixo da roupa.







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