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Quantas memórias estão ainda enterradas na terra?
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2022
Ensaios

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Alexandra Costa

— Artista e investigadora —

“In reality, cosmologies cannot be erased by brute force, at most they are pervasively sunk somewhere deep inside people.

Out of view but not out of existence.

Every empire rules by building new realities upon repressed memories.”

 

Alessandra Troncone in The Andean Information Age


 

Walter Mignolo refere dois aspetos que constituem a base da lógica colonial: a opressão e a negação. A opressão, relação desigual de poder que um indivíduo tem sobre outro, e a negação do conhecimento de cada indivíduo. Achille Mbembe, por sua vez, diz-nos que a conquista territorial, a dominação e a submissão política, económica e cultural dos povos colonizados contribuíram para a construção de um imaginário que, ainda hoje, produz empobrecimento e subalternização. Estes aspetos, para além de se fazerem sentir nas esferas económica e política, contribuíram e contribuem para o domínio da produção simbólica e para a construção das identidades.

 

A decolonialidade não se refere a um objeto ou prática, tão pouco a uma pessoa ou grupo, mas a uma forma de ser, pensar e sentir em situações específicas, enfrentando assim a matriz colonial do poder. Constitui uma ferramenta para transgredir os modelos de pensamento homogeneizantes, uma cosmovisão na procura de um futuro interculturalista.

 

Aprender a questionar a história, ativar as memórias e os vestígios visuais das memórias ligadas a outras histórias e a possibilidade de misturar tudo isso. 

Explorar as práticas, os sons e as vibrações que surgem do confronto.

Pensar as imagens estáticas, substituí-las por movimentos. 

 

O movimento sem pauta coreográfica nem linguagem narrativa ou musical. As relações de forças que surgem do encontro dos corpos. A respiração e as trocas de disposição do peso. 

A comunicação que permite pensar outras formas vinculativas de aceleração e conexão.

Procurar as memórias coletivas de relações interculturais, de encontros e desencontros, de contradições, lutas, opressões e resistências.

Evocar o trabalho manual, a memória e a contramemória dos arquivos vivos. Descodificar o implantado e desafiar a história hegemónica e linear, pensando num “nós” diverso.

Cocriar, escrever novas narrativas e ouvir novos sons.

A desfuncionalização do território corporal, uma ruptura com a lógica da organização do corpo. O resgate dos registos sensoriais da pele e da experiência corporal. E, recuperar a ancestralidade.