Sun
6
May
Impro Sharana
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Sun
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May

Um grupo de amigos de diferentes latitudes e culturas, abre-nos a porta da sua casa e conduz-nos à sala de estar, o chá a ferver já está servido no bule. A atmosfera festiva é de simplicidade e simpatia, iluminada por sorrisos abertos que acolhem e aconchegam. Uns estão descalços, outros de pé, outros confortavelmente sentados no sofá. Em silêncio, mas falam connosco explorando todas as possibilidades do diálogo entre a música e a dança, como se estivéssemos dentro de um filme de cinema mudo. E a conversa discorre, em modo espontâneo, intimista, improvisando-se numa novel linguagem criativa, mas de todo desconhecida para os próprios e os convidados, como se a beleza fosse património universal, sem necessidade de tradução.


Cada um conta as histórias de sua mundanidade, fundindo o oriente e o ocidente, o próximo e o longínquo, o passado e o presente. Num cenário de melodias improvisadas, num registo de pureza e despojamento, materializadas numa harmonia de instrumentos musicais, o contrabaixo, o “kaval”, o “oud”, a guitarra, as percussões, a voz destaca-se pela sua transparência, as palavras não interessam, mas sim as fonéticas familiares que a partir daquela sala de estar, nos levam a viajar pelo mundo.


Mas esta viagem aperfeiçoa-se pelo encontro entre a música e a dança. Uma bailarina, a partir de um estilo de dança clássica indiana, descalça, de braços que se alongam, em gestos leves, fluidos, geométricos, numa composição de mudras, transcende a dimensão material da expressão, e reinterpreta este diálogo, à luz de uma ancestral sabedoria oriental. Seguindo essa linha de espiritualidade, os seus pés dançam com a percussão, e, eles próprios, sincopando os outros instrumentos, permitem que a música e voz não se percam no vazio, circulando entre o corpo e a mente.

Têrencio, um poeta latino, dizia, “Sou humano e nada do que é humano me é estranho”, e, de alguma maneira, esta ideia ajuda-nos descodificar uma mensagem latente ao longo de todo este encontro de amigos felizes, como se todos tivéssemos em nós a possibilidade ontológica de compreender O Outro. E será que não temos mesmo?

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