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Jerada: Um Vórtice de Energia
Tue

 

01

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05


2018
Não é uma crítica

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Não é uma crítica
Jerada: Um Vórtice de Energia

Diogo Sottomayor

— Aluno de interpretação da ESMAE —

Jerada é um espetáculo que propõe um palco nu. Um deserto, preenchido por corpos que se perdem em movimentos circulares. O palco, estrutura estável, torna-se uma estrutura instável onde os corpos rodopiam, se contagiam e convergem uns sobre os outros. Os bailarinos não se esgotam no seu papel individual – Jerada permite ir mais longe, e depreender dos vários corpos, belíssimas imagens de movimento, sobrevivência e resistência.



A música inicial tem um movimento pendular que evoca, no público, um sentimento de ida e vinda, também ele num movimento circular que surge ao fundo, mas um fundo que não declarado, que não é mais do que a nossa própria imaginação que é colocada em questão. A música é tocada ao vivo? A música foi gravada? Onde está o conjunto de músicos, que não aparece até ao final da performance?



Os corpos continuam a criar os seus vórtices de energia e a sua gramática corporal mantém o rodopio, mantém uma passada que toca a corrida, que toca o desespero, que toca a luta e, sobretudo, que nos toca a todos. Quem são estes indivíduos que correm e se movimentam de forma circular, sem nunca entrar em diálogo? O único momento de diálogo resume-se a algumas ordens que ora são acatadas por todos, ora por apenas alguns. Gritos que surgem no deserto e que são transformados através do movimento.



Assalta-nos de imediato a questão da sobrevivência. Como podem 15 bailarinos partilhar o palco de forma estável na sua rotação, sem interferir no círculo alheio? Como podem os movimentos que por vezes se assemelham a ponteiros do relógio manter a ordem para que a “máquina” humana funcione?



Movimentos sem um fim, movimentos fechados no seu círculo, que encontram outros círculos, movimentos que se replicam infinitamente e que tornam Jerada contemplativa, provocante e, acima de tudo, obriga o público a suster a respiração. Aliás, o grande momento mágico ocorreu no final, assim que o blackout invadiu o palco, e quando o público tomou alguns segundos para processar o que tinha visto, gerando um silêncio que as palmas só quebraram alguns momentos depois. Também o público girou sobre o seu axis, também o público seguiu o movimento pendular da música, e assim como recebeu a energia despendida no palco, assim a devolveu na força das suas palmas.

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