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06


2018
3 Danças de Ideias

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3 Danças de Ideias
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Cláudia Galhós

— Escritora e jornalista —

A que é que escolhemos dedicar a nossa atenção? O que pede uma implicação e se desdobra, de forma gentil, justa e eticamente responsável, para justificar uma análise apurada?

De certo modo, o encontro a pretexto de Registo acabou por reflectir este dilema: chegámos naquele domingo (13 de maio de 2018) com a inquietação e perturbação de alguns espectáculos do dia anterior – “Pinacendá” de Farruquito e “To Da Bone” dos (LA) Horde –, abalados pelas visões do mundo (ideologias preocupantes...? apenas uma interrogação...) que trazem consigo, a par da proposta de uma afectação impactante entre espectáculo e espectadores, de exaltação mais imediatista dos. Por isso, peças como “Documentário” de Joclécio Azevedo, “Feux d' Artifice” de António Lago & Susana Chiocca e “Rumor” de Joana Providência surgem como fundamentais, necessárias, também porque reafirmam a exigência ao nível da implicação das leituras possíveis que esboçam em cena.


A ideia de registo, nesse contexto de diálogo entusiasmado e participado, suscita um sistema de valores e éticas que se debruça claramente mais perante essas outras obras, que reposicionam o humano em diferentes configurações, mais poéticas (caso de Joana Providência), mais nómadas entre a instalação visual, sonora, física, a distância critica sobre o real – diferentemente no caso das outras duas.


De algum modo, os espectáculos que se desdobram nos estilhaços fragmentados da experiência dialéctica da obra de arte, cujos sentidos se constroem também no instante efémero em que a obra é partilhada, parecem mais relevantes para pousar uma ideia de registo, numa interpelação que eles próprios suscitam, por proporem um confronto entre uma possibilidade de assombro do olhar e um distanciamento crítico.


A forma como vemos é também reflexo de como nos posicionamos na sociedade. Dá mais trabalho, recorda-nos mais da fragilidade do humano, da perda, do desaparecimento, da colisão, mas é por tudo isso mesmo que estas obras são mais relevantes na operação desse olhar mais pormenorizado sobre os múltiplos desdobramentos possíveis do que instalam em cena.