DDD - FESTIVAL DIAS DA DANÇA

20  –  30.04   2021

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Trailer - (b)reaching stillness

Sobre

A viver entre Berlim e Zurique, a coreógrafa suíça Lea Moro assina performances inventivas que examinam as camadas físicas, sociais e emocionais das encontros entre humanos. Desde 2013 que se apresentou internacionalmente as suas peças e que se tornou artista associada residente do K3 Zentrum für Choreographie I Tanzplan Hamburg (2015/16) e no Tanzhaus Zurich (2017/18).


Além de seu trabalho como coreógrafa, Moro cofundou o Acker'Festival em Berlim (2013/14), em 2018/19 concluiu os seus estudos em Desenvolvimento Organizacional Sistêmico na artop, instituto da Humboldt-Universität Berlin e em 2019/20 participou no programa Curating in the Performing Arts da Paris Lodron University Salzburg e da Ludwig-Maximilians-University Munich. Exerceu funções de professora na DOCH - Escola de Dança e Circo de Estocolmo, Universidade das Artes de Helsinque, HZT Berlin e Manufacture Lausanne.

Sobre (b)reaching Stillness | Entrevista

Em (b)reaching stillness, a imobilidade é tida como uma mudança constante e estudada em todo o seu potencial físico. A peça para três bailarinos da coreógrafa suíça Lea Moro é um dos títulos a descobrir, online, no DDD 2021.


O ponto de partida para a criação de (b)reaching stillness foram as pinturas de naturezas mortas do período barroco e o modo como interagimos com elas. Explica Lea Moro: “Comecei a trabalhar sobre a ideia do observador de naturezas mortas e sobre o efeito que o seu olhar atento tem no quadro. Fascina-me a suposta imobilidade que associamos a essas pinturas. A encenação da imobilidade e do movimento lento guiaram toda a pesquisa do que viria a ser esta peça. O título joga com as palavras reaching e breaching, que estão ligadas ao observador. Ele vê uma imagem que parece estar congelada ou suspensa, mas se nos atrevermos a olhar para ela com o tempo necessário essa imagem congelada acaba se romper e mergulhamos na desaceleração”.


Assim, uma pesquisa inicial em torno da contemplação da imobilidade desembocou na ideia de desaceleração. Desenvolver os dois conceitos em palco pode, segundo a Lea Mora, “parecer falso se virmos um corpo a ir constantemente contra a sua forma natural de se mover ou, pelo contrário, se o virmos a acelerar”. Assim, render-se à desaceleração ao longo do processo criativo foi, acima de tudo, um esforço mental: “nesse trabalho, o corpo, o sistema nervoso, os músculos e a cabeça começam a mexer-se de forma diferente. Começamos a estar em conexão connosco próprios, com os outros, com o espaço e com a própria perceção do tempo. Para além disso, também trabalhámos o slowmotion, identificando o tempo e a fisicalidade que derivavam dos princípios desse movimento. Mas gostaria que o público não percecionasse o nosso movimento apenas como slowmotion ou imóvel. Quero algo mais: que se percecione o tempo de uma outra maneira”.


 

Ao longo de (b)reaching stillness, há mudanças imperturbáveis, florescimento, afundamento e ressurgimento. Moro volta ao repertório clássico já usado em trabalhos precedentes e abre espaço à inclusão da Sinfonia da Ressurreição de Gustav Mahler (1894). “Não tenho um conhecimento profundo de música; faço as minhas associações, tenho o meu modo de ouvir e sigo a minha intuição. Esta sinfonia, em particular, é grandiosa e pomposa, o que pode representar um risco enorme na criação de uma peça de dança. Por outro lado, era ideal para o que pretendia: não fazer uma peça de dança contemporânea minimalista. Acima de tudo, é uma performance que reflete sobre a perceção do tempo, sobre os timings e sobre a evolução para uma mudança dinâmica”, conclui Lea Moro.

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